Foram resgatados na manhã desta sexta-feira os corpos de mais duas vítimas do acidente que matou o ministro do Supremo Teori Zavascki em Paraty. Segundo nota da Secretaria de Estado de Defesa Civil e Corpo de Bombeiros, os corpos são de um homem adulto, que seria o piloto do avião Osmar Rodrigues, de 56 anos, e de uma mulher ainda não identificada. Três mergulhadores do Quartel da Barra da Tijuca do Corpo de Bombeiros participaram do resgate.
Na madrugada, foram resgatados os corpos do ministro, do empresário Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, fundador do Grupo Emiliano e amigo do ministro. Os bombeiros resgataram também o corpo de outra mulher ainda não identificada. Eles foram levados para Instituto Médico Legal (IML) de Angra dos Reis.
O bimotor de prefixo PR-SOM decolou com o ministro Teori e mais quatro pessoas do aeroporto Campo de Marte, em São Paulo na quinta-feira, por volta das 13h, e tinha Paraty como destino. Antes das 14h, porém, a aeronave caiu no mar próximo a Ilha Rasa, em condições climáticas desfavoráveis e com pouquíssima visibilidade, de acordo com o relato de testemunhas.
O Delegado de Polícia Uriel Alcântara, titular da 167ª Delegacia, em Paraty, informou que equipes da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros, da Marinha e da Aeronáutica seguem no local da queda da aeronave para ajudar na retirada da aeronave.
O Ministério Público Federal em Angra dos Reis pediu à Anac e ao comando da aeronáutica documentos relativos à manutenção da aeronave, gravações de conversa entre piloto e torre de controle e está colhendo junto com a PF provas testemunhais.
No final da tarde de ontem, a Aeronáutica enviou uma primeira equipe para iniciar a investigação, que ficará a cargo do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Não há prazo para a conclusão da apuração. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal também instauraram inquéritos para apontar a responsabilidade pelo acidente. Uma equipe de policiais federais, especialista nesse tipo de investigação, já foi deslocada até Paraty.
Teori era relator da Lava-Jato no STF. Era ele quem homologava delações premiadas que envolvessem políticos com foro privilegiado, como ministros, deputados federais e senadores. As últimas delações que estavam sendo analisadas por ele eram de executivos da Odebrecht.
Com a morte do ministro, o destino dos processos da Lava-Jato no Supremo ficou incerto, e as apurações deverão atrasar. O Regimento Interno da Corte determina que, em caso de morte, os processos devem ser herdados pelo substituto, que será escolhido pelo presidente Michel Temer. No entanto, um outro artigo do regimento afirma que “em caráter excepcional”, a presidente do tribunal, ministra Cármen Lúcia, poderá sortear o processo para outro ministro que já integra a corte.