A ocupação de espaços públicos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em João Pessoa já dura mais de 30 horas. A Avenida Epitácio Pessoa - principal via arterial da cidade - há foi ocupada, nas duas vias, há quase 24 horas. Inicialmente, os integrantes se alojaram no saguão do prédio do Ministério da Fazenda, às 9h30 da terça-feira (17), e ficaram até as 16h15 desta quarta-feira (18). O MST deixou o prédio ainda na tarde da terça, após uma decisão da Justiça Federal na Paraíba.
Desde então, por volta das 17h45, os manifestantes foram para a rua e ocuparam as duas vias da Avenida Epitácio Pessoa, próximo ao horário de pico da avenida - o que já dura quase 24 horas. A Superintendência de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP) alterou o trânsito nos corredores paralelos para fazer com que o trânsito flua.
Segundo o superintendente da Semob, Carlos Batinga, não há nada mais que eles possam fazer. “A ocupação é caso de polícia pois estão travando a principal via da cidade. Já acionei o Ministério Público [da Paraíba] para tentar resolver o caso”, afirmou Batinga.
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Às 16h30, o MST continuava a ocupar as duas vias da Avenida Epitácio Pessoa em João Pessoa (Foto: Reprodução/Semob-JP)
A Polícia Militar foi acionada ainda na tarde da terça-feira (17) para negociar a desocupação do prédio do Ministério da Fazenda e a liberação da avenida. Mas nesta quarta-feira (18), a PM disse que estava “acompanhando a ocupação como faz com qualquer movimento em praça pública” e que as negociações estavam sob a responsabilidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária na Paraíba (Incra-PB).
Na tarde da terça-feira (17), o juiz federal Bruno Teixeira de Paiva, determinou que os manifestantes do MST desocupassem o prédio do Ministério da Fazenda. Sendo descumprida a determinação, uma multa de R$ 1 mil por pessoa e por hora ocupada do prédio da União seria cobrada da entidade.
Bruno afirmou que eles estavam "ocupando todos os pavimentos e não permitindo a saída de servidores e terceirizados do referido prédio" e que utilizavam, inclusive, instrumentos de ataque como foices.
Cumprindo agenda nacional, O MST havia ocupado na madrugada da segunda-feira (16) a sede do Incra em João Pessoa. De acordo com a organização das ocupações, "as mobilizações da Jornada de Lutas de Outubro estão acontecendo em resposta aos constantes ataques à classe trabalhadora em nosso país desencadeado pelo golpe desde 2016".
Os manifestantes exigem por parte do Governo Federal a recomposição do orçamento e das políticas para reforma agrária, chamando atenção para os cortes das políticas de infraestrutura dos assentamentos, de créditos para a reforma agrária como o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).
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Momento em que as vias da Av. Epitácio Pessoa foram acupadas, às 17h50 da terça-feira (17) (Foto: Reprodução/Semob-JP)