A Polícia Civil pediu a quebra de sigilo bancário, telefônico e fiscal de vários investigados pela Operação Cartola, conforme informou o delegado de Defraudações e Falsificações de João Pessoa, Lucas Sá, nesta segunda-feira (9). A operação acontece em conjunto com o Ministério Público da Paraíba (MPPB) e investiga uma organização criminosa por falsidade ideológica e manipulação de resultados no futebol profissional da Paraíba.
Ao todo, são 80 investigados, no entanto a Polícia não divulgou os nomes daqueles que tiveram a quebra de sigilo solicitada. Segundo o delegado, isso acontece porque há uma determinação judicial, para que o processo de investigação não seja prejudicado.
Além disso, o MPPB também disponibiliza o endereço http://cartola.mppb.mp.br/, para que sejam enviados documentos, fotos ou vídeos que possam ajudar nas investigações, e o número 197 para denúncias.
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Polícia Civil e o Ministério Público cumpriram na madrugada desta segunda-feira (9), 39 mandados de busca e apreensão nas cidades de João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Campina Grande e Cajazeiras. (Foto: Water Paparazzo/G1)
A Polícia Civil e o MPPB cumpriram, na madrugada desta segunda-feira (9), 39 mandados de busca e apreensão nas cidades de João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Campina Grande e Cajazeiras. O objetivo é apurar crimes cometidos por uma organização composta por membros da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Comissão Estadual de Arbitragem da Paraíba (CEAF), Tribunal de Justiça Desportiva da Paraíba (TJD/PB) e dirigentes de clubes de futebol profissional da Paraíba.
As equipes de monitoramento e vigilância da Polícia Civil analisaram centenas de documentos e realizaram diligências durante seis meses de investigações. O cumprimento de mandados contou com a atuação de 230 policiais civis.
De acordo com o advogado da FPF, Hilton Souto Maior, a operação foi iniciada a partir de informações falsas repassadas pelo vice-presidente da federação, que está em uma briga política com o atual presidente. Ainda de acordo com o advogado da FPF, o último balancete da federação foi aprovado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O vice-presidente Nosman Barreiro, em nota, informou que não é alvo da operação e foi um dos responsáveis pela denúncia.
De acordo com o Grupo de Ação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), foi possível identificar dois núcleos, sendo o primeiro, considerado o líder, formado por membros da FPF, CEAF e dirigentes de clubes de futebol profissional, que “conta com uma sofisticada rede de proteção, elevado grau de articulação institucional”. O segundo núcleo é formado por membros executores ligados à CEAF (arbitragem), funcionários da FPF e de clubes de futebol, que atuam a mando do primeiro núcleo, ainda de acordo com o Ministério Público.

Operação Cartola investiga times da Paraíba
Por conta do sigilo das investigações, os detalhes sobre o modo de atuação dos investigados, individualização das condutas e demais características da organização só vão ser divulgados posteriormente, após a conclusão da investigação.
O presidente da FPF, Amadeu Rodrigues, disse que está à disposição da polícia. A Federação Paraibana de Futebol também emitiu uma nota oficial, afirmando que já havia disponibilizado, em março, a abertura dos sigilos bancários, telefônicos e fiscais, não só da FPF, como também do presidente. A instituição ainda ressaltou que, a partir da nova administração, os árbitros não são escolhidos, mas sorteados publicamente, antes das rodadas, com transmissão ao vivo e abertura para a imprensa e os desportistas presenciarem no local.
O presidente do Campinense, William Simões, disse que as portas do clube estão abertas para colaborar com investigações. A assessoria do Treze informou que a diretoria está reunida para dar posicionamento oficial. O presidente do conselho deliberativo do CSP, Josivaldo Alves, disse que a investigação é positiva e que o CSP não tem nada a temer. O Botafogo-PB afirmou que está à disposição das autoridades, colaborando com as investigações, e que acompanha com tranquilidade o desenrolar das investigações.