Por falta de combustível durante a greve de caminhoneiros, o comerciante Valdenor de Abreu Cavalcanti decidiu fazer o trajeto até o trabalho a cavalo, em Campina Grande. Nesta sexta-feira (25), ele abandonou a moto e a caminhonete que possui, e seguiu no cavalo para trabalhar, vestindo uma camisa em apoio à paralisação que chega ao quinto dia na Paraíba.
Levando nas costas a frase ‘por falta de combustível eu vim a cavalo’, o homem seguiu pelo bairro da Palmeira até o Centro de Campina Grande, acenando para os motoristas e curiosos que param para olhar.
A paralisação dos caminheiros chegou ao 5º dia na Paraíba, nesta sexta-feira (25). Mesmo após uma proposta do Governo Federal, anunciada nesta quinta-feira (24), a categoria permanece com a greve em pelo menos quinze pontos de interdições em rodovias da Paraíba. De acordo com o presidente do Sindicato de Motoristas de Entregas do Estado da Paraíba, Hemerson Galdino, manter a redução de 10% é insignificante.
O comerciante Valdenor conta que a ideia surgiu depois que os transportes que tem, para ir e vir, ficarem sem combustível. “Eu dependo muito do combustível, principalmente do óleo diesel que uso para o transporte das mercadorias", diz.
Ele diz que a moto utilizada para ir ao trabalho está na reserva e a caminhonete que utiliza para transportar as mercadorias já não tem combustível suficiente para o trajeto. Além disso, depois dos protestos dos caminhoneiros e por ser adepto ao cavalo, viu o animal como a única solução para chegar ao local de trabalho.
“Enquanto os caminhoneiros estiverem parados nas estradas, eu vou para o trabalho a cavalo”, afirma o comerciante.
Valdenor afirma que concorda com os protestos realizados, pois a situação da alta no preço do combustível afeta também o trabalho dele. Ele relata que, com essa situação, o preço do frete para transportar as mercadorias sobe.

Comerciante foi trabalhar a cavalo em Campina Grande por causa de falta de combustível
Valdenor conta ainda que no local do trabalho, onde ele deixa o cavalo à espera para retornar para casa, ele já reservou comida para o animal. O homem também não esqueceu de caracterizar o companheiro de estrada e pendurou uma faixa no pescoço do animal, em que está escrito "Eu apoio a greve dos caminhoneiros".
“Passo lá na estrada onde estão os caminhoneiros para dar apoio e pedir a eles que não desistam, que vão até o final”, diz Valdenor.
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Comerciante a cavalo por falta de combustível apoia greve dos caminhoneiros, em Campina Grande (Foto: Gustavo Xavier/TV Paraíba)
Até a quinta-feira (24), dos 102 postos existentes em João Pessoa, 19,6% não tinha nenhum combustível, de acordo com a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-JP). As informações foram divulgadas por volta das 18h30 desta quinta-feira (24). Esse percentual representa pelo menos 20 locais sem abastecimento na capital paraibana.
Em Campina Grande, os postos estão começando a serem reabastecidos com os caminhões que saíram do Porto de Cabedelo, na noite de quinta-feira (24), quando não havia nenhum tipo de combustível na cidade, conforme informou o Sindicato dos Revendedores de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Campina Grande e Interior da Paraíba (Sindirev).