Hoje, não abordaremos a saúde pública a nível nacional, apesar de ela também interferir diretamente na situação dos estados e municípios. Nossa proposta é apresentar os problemas que os cidadãos de Cacimba de Dentro, município do Curimataú Paraibano, têm enfrentado ao longo desses dias e priorizar as queixas que são relatadas por cada cidadão que necessita usufruir de um serviço público municipal de qualidade. Iniciaremos nossos apontamentos na tentativa de responder à seguinte pergunta: como anda a saúde pública de Cacimba de Dentro?
Quem é a Secretária Municipal de Saúde em Cacimba de Dentro?
Atualmente, quem assume a gestão da saúde no município é Rayanne Costa Sousa Henrique, formada em Odontologia pela instituição de ensino superior privada – Unipê, casada com o atual vereador Pollyanno Henrique e irmã da primeira dama Fernanda Costa. Ela encarrega-se de coordenar e orientar as intervenções na saúde.
No entanto, sua atuação não tem sido nada satisfatória. Nota-se que, neste período de dois anos nos quais ela está à frente da secretaria municipal, poucos são os rendimentos quando o assunto é saúde coletiva, prevenção e reeducação dos usuários e profissionais que a ela estão vinculados. Ao ouvirmos alguns usuários, muitas coisas não caminham como deveriam. Eles nos relatam que a secretária não tem autonomia para resolver os problemas que chegam até ela e que, em outros casos, o melhor mesmo é recorrer ao prefeito.
Não há alguém que organize seus profissionais e tenha autonomia na hora de tomar decisões. Não podemos dizer que não temos um representante, mas podemos dizer que a população do referido município não sabe de fato quem rege esta secretaria. Listamos, assim, um dos primeiros problemas que nos causa prejuízos: falta de uma boa gestão que esteja em sintonia com os munícipes e com o gerenciamento, desenvolvimento e articulações das atividades relacionadas à saúde.
Profissionais e modelo de gestão na saúde cacimbense
Convém destacar que as equipes de saúde da família são compostas por médico, enfermeiro, auxiliares de enfermagem, agentes comunitários de saúde, cirurgião-dentista, auxiliar de consultório dentário ou técnico em saúde bucal. Porém, com o passar dos anos, o Ministério da Saúde desenvolveu um outro grupo com intuito de auxiliar e consolidar a atenção básica no Brasil, o denominado NASF (Núcleos Ampliados de Saúde da Família), que é composto por profissionais de diferentes áreas de conhecimento e apoiam as equipes de saúde da família.
Em vista disso, no município, temos todos esses profissionais à disposição. Contudo, o que falta é uma boa administração que assegure a ordem e faça com que o trabalho tenha bons rendimentos, oportunizando, assim, à população o seu direito de obter uma melhor qualidade de vida com a promoção da saúde.
Promoção de eventos com baixo índice de resultados
É dever do secretário de saúde trabalhar com perspectivas que assegurem a ação integral e preventiva de seus munícipes, com estratégias que não sejam postuladas apenas em papéis, mas desenvolvidas como forma de assistência às famílias, com modelos e ideias que promovam a qualidade de vida da população.
Nesse sentido, percebemos o quanto peca a atual gestão, tendo em vista que os eventos e promoções de saúde realizados acabam tendo pouco rendimento, pois os maiores investimentos são feitos na estrutura e em como divulgar o evento, deixando de lado as metodologias que forneçam aos usuários um atendimento de qualidade.
O atendimento de saúde bucal no município
Dentre as muitas reclamações que chegam até nós, a principal delas é em relação aos atendimentos de saúde bucal. Todas as unidades de saúde possuem um dentista, porém, não é dado a esse profissional condições de trabalho, pois seus consultórios passam dias com problemas, sobretudo aparelhos quebrados.
Os materiais para os tratamentos dentários são bem escassos e, na maioria das vezes, quando o atendimento do paciente não é interrompido, ele só pode fazer extração ou limpeza. Com uma semana de atendimento, os aparelhos já voltam a quebrar novamente, dificultando os procedimentos.
Ineficiência na realização de exames, falta de remédios e vacinas
Uma outra queixa bem comum das pessoas que moram nas comunidades do município e também na zona rural é em relação às vacinas. Até o momento, não foram feitos investimentos que capacitassem as atuais enfermeiras ou técnicos de enfermagem para que eles sejam vacinadores, causando desconforto às mães que são obrigadas a se deslocarem de seus bairros para um único ponto de vacinação.
As reclamações, porém, não param por aí! As mulheres relatam que fazem os exames preventivos, como o citológico, mas não recebem os resultados dentro do prazo prometido. Quando são entregues, já não servem mais.
“Se o médico pede um exame, a gente tem de apresentar o resultado, né? Mas como se quando entrega já está ‘vencido’?”
Relato de uma usuária dos serviços do SUS em Cacimba de Dentro/PB.
Desde o período de novembro de 2018 até o presente mês que estão em falta muitos remédios na farmácia da secretaria. Os pacientes que possuem doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, tem que arcar com as despesas de remédios básicos. Alguns de baixo custo, mas com valor significativo para quem se sustenta apenas com o Bolsa Família.
Além disso, faltam materiais para realização de curativos e os profissionais são orientados a não dizer que está em falta. Dessa forma, um paciente que necessita fazer manutenção de curativos diariamente é indicado a ir à sua unidade de saúde e, dependendo do caso, o inverso acontece. Mas, nesses últimos dias, os usuários têm ido de suas unidades de saúde ao hospital, e do hospital são reencaminhados às suas unidades de saúde, criando, assim, um ciclo vicioso no qual nada é resolvido.
Embora o quadro seja difícil, há ainda quem queira trabalhar e estabelecer vínculos entre os cidadãos e o serviço público. Nesta desnorteada gestão, tem quem busque trabalhar com estratégias e busque conhecer a realidade de tantas famílias, que oriente e identifique as principais doenças ou situações de risco que permeiam e estão expostas aquela determinada população.
Entretanto, não se tem quem esteja apto a assumir e abdicar de seus interesses pessoais em prol de um povo, povo este que os escolheram e, aos poucos, vão sendo esquecidos e enganados com promessas de novos dias que não chegam, em meio a tantas velhas práticas que acabam deixando os serviços básicos de saúde em segundo plano.