Uma viagem de férias programada há pelo menos seis meses pela paraibana Rafaella Ferreira Torres Galisa, de 23 anos, se tornou um pesadelo para ela e mais dois amigos. A aquiteta viajou de João Pessoa para a Europa no último dia 4 de março e relata dificuldades para voltar ao Brasil por causa do quadro de pandemia causado pelo novo coronavírus. “Incerteza e preocupação” é o que define o sentimento do trio.
“Estamos preocupados não somente conosco, mas com os outros brasileiros que estão aqui e estrangeiros fora de seus países. A sensação de não saber quando estaremos em casa é muito ruim”, desabafou.
Na noite da quarta-feira (18) o país decretou estado de emergência, o que permite que o governo possa restringir o deslocamento da população como forma de frear a propagação da pandemia do novo coronavírus no país, que tem uma população estimada em 10 milhões de habitantes.
O próximo destino dela seria para Paris. Como medida preventiva, ela desistiu de conhecer a capital francesa e adiantou a passagem de volta para a Paraíba, marcada para o dia 18 deste mês. Mas o retorno foi cancelado.
“A situação está se complicando por aqui e nós brasileiros estamos preocupados, pois cada dia que passa mais casos aparecem e estamos sem ter previsão de volta”, relatou.
Em nota divulgada por meio de redes sociais, a empresa área em que Rafaella e os amigos contrataram comunicou que suspendeu todas as viagens a partir da quarta-feira (18) pelo período de 30 dias.
Já o Itamaraty informou que consulados e embaixadas estão à disposição para o auxílio de brasileiros fora e que estão em regime especial de trabalho para atender as medidas preventivas de cada país.
Ela ainda pensou em não viajar. “Como não estava tão alarmante a situação e em Portugal estava sem casos, não imaginei que viraria um problema tão grande, que se tornaria uma pandemia. Não tinha ideia da proporção que o coronavírus tomaria”, destacou.
Mesmo sem sair nas ruas, eles enxergam o cenário de isolamento social. Supermercados e farmácias funcionam em horários reduzidos, apenas uma pessoa pode entrar nos estabelecimento por vez e as pessoas devem manter pelo menos um metro de distância em filas.
Para evitar contato com pessoas que podem estar contaminadas, os amigos alugaram um apartamento e fizeram compras para não que precisem sair de casa. “Mas há muitos brasileiros nervosos em relação aos hotéis que estão com medo de fecharem os hotéis e piorar suas situações”, pontuou.
Ela contou ainda que outros brasileiros foram até o consulado do Brasil em Portugal, mas não conseguiram resposta sobre a situação. O governo português disponibilizou um abrigo para os viajantes, mas o medo do contágio o acompanha.
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Torre de Belém, que é um ponto turístico em Portugal, sem visitantes — Foto: Rafaella Ferreira Torres Galisa/Arquivo pessoal